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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Road Trip - Parte 4: O último dia

Amanheceu cedo, com o sol a bater nos vidros do carro, tornando aquele pequeno bólide branco num exemplo a pequena escala do aquecimento global, e já transpirava feito parvo (pois, o Al Gore disso não fala!), breves arrumações e lá arrancamos nós, claro que não sem antes de dar mais um mergulho nas águas escaldantes lá da Tacota.

Lá seguimos então para a Conda.

Agora com o sol a brilhar alto, era possível apreciar a paisagem que nos envolvia, e onde realmente estávamos, que no escuro da viagem de vinda era simplesmente impossível de perceber.
Estávamos mesmo por entre montanhas, bem lá no alto, por entre cumes e vales no meio do nada.


No topo das montanhas.

Mas aqui e ali encontrávamos uns povoações isoladas, uma cubata aqui e ali perdida, e alguns dos habitantes destas terras altas e desterradas. Para quem não sabe, as cubatas são casotas típicas, feitas com telhado de colmo, e nesse caso, com paredes em blocos de argila.

As cubatas lá ao longe.


Locais a verem o carro passar.

Finalmente tínhamos chegado ao município da Conda. Como podem constatar na foto abaixo, tirada na zona mais rural.

Sim, é um município!

A sede começava a apertar, e então, aproveitando estarmos num município, procuramos um tasco qualquer para comprar uma bebida fresquinha. Não sendo uma zona abundante no que diz respeito a tascos, vai-se lá saber porquê, tivemos que parar numa, digamos, espécie de tasco.
A única coisa que havia fresca lá era Fanta de ananás... (Eu e a minha má língua, já a falar mal, como eles fossem muito atrasados, mas até tinham fanta de ananás. Menos mal.)

Eis a garrafa, de mil novecentos e "trocó passo".

Bom, agora que falo nisso, lembrei-me que deveria ter verificado o prazo de validade... Mas que se lixe, soube pela vida, e até hoje não tive problemas do foro intestinal, nem recorri com frequência a instalações sanitárias. Pelo que acredito que estaria dentro do prazo.

Também não sei até porque me questiono sobre isso, o tasco não deixava azo para qualquer tipo de dúvida quanto à qualidade do produto.

O tasco!
(não, não é a casa verde, o tasco era a barraca em chapa que está do lado esquerdo.)

Uma prova mais que irrefutável de que os tugas por cá andaram, é o campo de jogos do CDDC, o Clube Desportivo da Conda.
Se há coisa que tuga faz mal chega a uma cidade/vila/povoação/aldeia/descampado, é fazer um campo de jogos ou estádio para jogar à bola e comer a bela da bifana com a "mini" enquanto chama nomes à progenitora do moço do apito.

O dito campo de jogos.

Mas a beleza da Conda não reside no seu relvado, ou nesse caso, é mais um pelado. É famosa por causa desta piscina de água quente, que não é amarela (como na minha terra), e também não é tão quente como as poças de Tacota, ali consegue-se não ser cozido, o que é positivo.


A piscina.

O Fernando antes de lhe roubarem os chinelos.


Como não podia deixar de ser, encontramos uns colegas da empresa a acampar ali ao lado da piscina. Os tugas estão mesmo em todo o lado...

Entretanto, enquanto nos banhávamos lá nas água morna, havia quem continuasse na rotina do seu dia a dia. Muitos dos casos certamente sem água corrente fria, quanto menos água quente, há que aproveitar para tirar as nódoas mais difíceis.
(Sim, toda a gente sabe que a água quente é usada para as nódoas piores. Mas também é preciso tomar cuidado para não encolher ou desbotar! Isso vindo de quem já não lava a sua roupa há mais de um ano...)

Fazem um colorido bonito.

A miudita a aprender.

Tirei essa foto ainda antes de saber que o Farmville existia. Juro!

A muito custo, lá saímos da água, já com os dedos engelhados, e seguimos viagem. No regresso, passamos por mais kimbos, e cubatas, montes e montanhas, árvores e bananeiras, terra e muita terra.
Aparentemente não tinha ninguém em casa.


À noite as Três Pontes confesso que por incrível que pareça tinham um aspecto ainda menos assustador... Sempre não conseguíamos olhar para baixo... Medo! Muito medo! E só de pensar que por ali passam camiões (para levar a fanta de ananás) e camionetas.
O rio que passava lá por baixo.

Pelo rio, o vento, e as nuvens deixava antever uma chuvada daquelas à maneira. E não falhou! Chuva e mais chuva, a cair forte, ajudada pelo vento, ainda fizeram cair uma ou outra árvore, uma delas mesmo em frente do carro dos nossos colegas que seguiam à nossa frente. E os que seguiam atrás de nós, contaram com a ajuda de locais com catanas para retirar um tronco que tapou-lhes o caminho.
Ainda foram uns bons 30 minutos de chuva intensa!

A chuva a estragar o negócio lá no mercado.


A linha a separar a zona da chuva e a zona seca, bem marcada na estrada.

Passado o temporal, estava na hora de acamar o estômago, e nada melhor que umas bananas que nos surgiram pelo caminho. 100kz (1€) deu para um cacho. Posso dizer que caíram que nem ginjas, ou nesse caso, bananas.

A bela da banana.

A observarem os pulas.
Nesses locais desterrados, temos que estar preparados para tudo, até para porcos a andar de bicicleta ou cabras a andar de mota. E se não se vê o primeiro, vê-se o segundo.

A cabra vai ao colo do gajo na mota.
(nde, a expressão "cabra ao colo do gajo" não tem qualquer outro sentido menos sério, estou mesmo a falar do bicho)

No meio de uma estrada já asfaltada, encontramos um mercado muito movimentado, e resolvemos parar para compras umas frutas. Eu fiquei-me pelas bananas. Sim, novamente. As outras já tinham acabado. Seguem umas fotos do mercado tiradas às pessoas e ao local.






Ainda passamos por umas quedas de água, mas não tinha mais bateria na máquina, e não tirei fotos. Quando arranjar ponho aqui. E quando tiver uma boa ligação à net (leia-se, não pré-histórica) ponho um filme ou dois do fim-de-semana.

E como não podia deixar de ser... Trânsito!
Duas horas para entrar em Luanda, no pára arranca... Depois de um fim-de-semana espectacular, esta merda estraga logo a disposição toda a um gajo! Mas vale a pena...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fim-de-Semana

Sábado

Chegou o fim-de-semana, e uma indecisão terrível confrontava-nos!
Piscina ou praia? A dúvida! O dilema! A indefinição!

Urgia optarmos... Se a piscina estava ali mesmo ao lado a um minuto a pé, com água quentinha, sol, e sem trabalho nenhum para lá chegarmos, mas não tinha bar!
Opção A.

Por outro lado tínhamos a praia! Água quentinha, meia hora de carro, sol, controladores (os arrumadores à moda de Angola), e com bar!
Opção B.

Como a preguiça era muita, o espírito angolano começa a entranhar-se, até mesmo para tomar decisões, ficamos pela piscina...

Depois de uma manhã com formação em Segurança e Higiene no Trabalho, a falar de não conformidades e de Sistemas de Gestão de Segurança, nós bem merecíamos isso!
Calça chinelos, toalha para o ombro, e vamos lá não fazer nada!
"Copinhos de Leite" em banho maria.

Os nossos colegas lá do norte (Fernando da Mulemba, Luís do Estaleiro) juntaram-se a nós. E como é um condomínio fechado, com segurança 24h, apertadíssima - até revistam as malas dos carros dos funcionários - eles só precisaram de dizer que eram nossos amigos para entrar sem lá irmos.

O sol já desaparecia, e os dedos já todos enrugados.

À noite fomos para o Miami e depois para o Jango. A noite aqui não é muito cara, comparando com Lisboa. Pagamos cerca de 12€ para entrar no Miami, com direito a 2 bebidas branca (mas bem servidas, não como os suminhos que dão em Portugal). O Bruno foi o condutor de serviço, por isso não bebeu, como um menino bonito. Fora isso é ver os outros a dançar, é Kizomba, Kuduro, música brasileira, e tarrachinha. Nós ainda não entramos no espírito, dançamos sozinhos, como se faz lá nas terras tugas. Se bem que amigos nossos já dominam isso, o Martinho já é o rei aqui do sítio.


Domingo

Tínhamos combinado no dia anterior, acordar cedo para irmos para fora de Luanda (claro que só depois de avisarmos os nossos superiores, que é obrigatório, o que iríamos fazer no Domingo às 9h por telefone), e como já se está mesmo a ver, não foi nada disso que fizemos!

Acordamos às 12h, ainda ensonados, há que aproveitar o domingo para acordar mais tarde, e fomos para a praia na Ilha de Luanda, depois de "mata-bichar". Note-se que o Luís dormiu no sofá do André, logo foi menos uma viagem secante a fazer, o que calha sempre bem!

Cadeiras do Caribe, que nós como bons tugas, não vamos estar a pagar se podemos ficar na areia de graça.

Mais para o fim da tarde, era hora do tacho, e lá fomos nós comer. Enquanto estava tipo lagarto, ouvi uns cotas a pedir uma tosta de lagosta com um batido tropical, e não sei porquê, houve qualquer coisa ali que me soou extremamente aliciante! Então foi isso que pedi.
(Mas pelos vistos parece que não sou o único que ouve as conversas dos outros na praia, porque o Bruno também queria pedir o mesmo.)

"Gasolinas" no Caribe, à espera das tostas.

Meia hora depois, depois de apanharem as lagostas, cozerem, desfazerem, fazerem o pão, lá chegaram as nossas tostas. E eram mesmo boas! Se bem que com toda aquela maionese... A ver vamos como a barriga se aguenta! Quanto ao bolso, foram 2000 kwanzas, incluindo gorgeta, ou seja, cerca de 20€.

A tão cobiçada tosta de lagosta.

Próximo fim-de-semana tem feriado e vai ser grande, vamos sair de Luanda, conhecer a Angola verdadeira.


Glossário

"Copinho de Leite" - Brancos acabados de chegar a Angola, que ainda não apanharam sol em cima;
"Gasolinas" - Brancos acabadinhos de chegar a Angola, que não dominam nada disto por aqui;
"Mata-Bicho" - Matar a fome, tirar a barriga da miséria, comer.
Kizomba, Kuduro e Tarrachinha - Danças e sons angolanos.