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terça-feira, 9 de março de 2010

A queda do mito: nº 1

Vou inaugurar um série de imenso sucesso internacional, e quem sabe talvez nacional, que espero que tenha mais do que um capítulo, se não tiver, também estou completamente a lixar-me.

Esta série irá tentar quebrar muitas das ideia e frases feitas que existem na tuga sobre angola, país e povo, e que ouvimos vezes sem conta quando nas nossas pacatas férias, bombardeiam-nos sempre com as mesmas perguntas.

Ao início ainda tem piada, depois começa a chatear, e por fim apetece mandar dar uma volta. Aliás isso até foi uma das principais razões que me levou a escrever um blog, contar as coisas, de modo a perguntarem-me menos. Isso e procurar meter nojo sempre que posso.

Bom, isso tudo porque esse foi um fim-de-semana grande, porque aqui os angolanos dão muito valor à mulher, e respeitam-a acima de tudo, por isso resolveram fazer do dia 8 de Março, um feriado, para que a dama possa ficar em casa a descansar, depois, claro está, de fazer o almoço, jantar, lavar a casa, passar a ferro e tratar dos putos.

Então resolvemos ir na segunda fazer praia e almoçarada a Sangano (lá está o mete nojo).

Armados em pulas abastados, que chegam a Angola, e como a lagosta e todo o marisco em geral é barato, e abunda de modo absurdo, chegando ao ponto das lagosta virem dar à costa devido à sobre lotação do mar. Pelo menos é isso que rezam as lendas.

Pois bem, então lá pedimos um prato de lagosta, pela módica quantia de 3000 kz (26€), sempre é mais barato do que em Portugal, pensei.
O repasto consistia num bicharoco desses grelhado, acompanhado de batata frita (algo novo para mim...). Enquanto salivávamos à espera do tacho, imaginando um espécime crustáceo de tamanho épico, que transbordaria da travessa, e cujas pinças não caberiam na minha mão, lá bebíamos a bela da cervejinha fresca.

Ah pois... Puro delírio...

Nisto, passado meia hora, à espera, num restaurante em que se esgotaram as entradas, apenas havia agora pão e manteiga, mas... nem vê-lo... bebermos uma cerveja quente, e outra aceitável com a barriga a roncar,

Martinho esfomeado.

Quando finalmente chega-nos à mesa: O Prato!

Com, pasmem-se, não uma, não duas, mas sim três magníficas lagostas! E pelo mesmo preço!


Lagosta bebé...

Senti-me assim como que, vá lá, uma espécie de pedófilo do mundo crustáceo, mas apesar de tudo, confessar envergonhadamente que até estava saboroso e comi que nem um alarve.

O empregado a rir como só os angolanos sabem fazer quando supostamente deveriam estar atrapalhados ou estão a levar corrida, diz-nos que meteram mais lagostas em cada prato para compensar serem pequenas.
Podiam ter dito antes, se quisesse comer camarões tinha pedido.

Finda a refeição, é daqueles casos em que se diz, "As entradas estavam boas. Quando é que chega o prato principal?"

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

I'm dreaming of a whtie Christmas


Natal típico
...

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the treetops glisten,
and children listen
To hear sleigh bells in the snow


I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases be white


I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases be white


Natal em Angola...

A árvore a lembrar que chegou o natal.

Uma cena típica de natal.


Então?

Não repararam?


O pai natal está presente, enquanto se dá uns mergulhos para não assar ao sol.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Road Trip - Parte 3: Em busca da Conda perdida

O que é que 7 homens sozinhos, solteiros (uns mais do que outros), e bons rapazes, mais procuram, num fim-de-semana que se quer de loucura?

Algo relaxante, agradável, quente, que não está ao alcance de todos, e que não existe mapa, difícil de lá entrar, mas depois já ninguém quer sair...

Isso, estamos todos a pensar no mesmo! Na Conda.

Já nos tinham falado desta coisa, aliás, dois de nós até afirmaram já lá ter ido. E então decidimos conscientemente mudar os nossos planos.
Novo percurso.

O problema de grandes viagens de carro aqui em Angola, passa sempre pela logística. O combustível num carro que faz 350km com um depósito, é sempre uma dificuldade, quando temos bombas espaçadas de 200km, e há sempre o risco de lá chegarmos e estar sem gasolina. Mas o que é a vida sem um pouco de risco?

Então, lá seguimos caminho, à procura da Conda.

Sabíamos que havia bomba em Porto Amboim, e surgiram rumores não confirmados de haver em Cabo Ledo, que era mais perto, por isso como seria de esperar decidimos ir para ao mais distante!

Porto Amboim lá ao longe.

Porto Amboím é uma cidade, ou vila, não sei bem, ou sabia mas já não me lembro, também não interessa muito, porque já estou a divagar sem qualquer interesse para o blog e para quem está a ler, isto se estiver alguém a ler ainda, depois de ter-me desviado assim tanto do assunto, pequena e pitoresca à beira mar, ainda muito caracterizada pelo estilo colonial, com as avenidas largas com árvores, e construção típica.


Avenidas e população de Porto Amboím.

Como acontece sempre que mal se saí de Luanda, as pessoas são muito mais simpáticas, e não estão logo a tentar arranjar um esquema para te sacar uns kzs. São simpáticas só porque sim!
Falavam com os pulas, se damos gorjeta, agradecem e não refilam "Chefe! Só?", eu quero acreditar que essa é que é a Angola real, Luanda é um caso à parte.
Então, a fome apertava, tinhamos comido às 6h, e já eram 13h, por isso paramos num tasco com lugares disponíveis, à beira da praia, para comer um belo de um bife!

Esplanada do... digamos... restaurante.
(quem vê a foto, nem parece ser o tasco tipo roulote, com mesas de plástico em que almoçamos...)

Após um bom repasto, o que há de melhor do que ir para o sol, de barriga para cima, torrar, arrastarmo-nos até à água quente, a muito custo, refrescar, voltar para a toalha, para o sol, torrar, mas agora de barriga para baixo? Nada!


Nós passávamos completamente despercebidos na praia de papo para o ar...

A boa vida não dura para sempre, por isso tínhamos que nos fazer à estrada, e tratar dos preparativos essenciais para a viagem. Em primeiro lugar havia que arranjar maneira de atestar o depósito. Só que em Angola, surgem sempre imprevistos, corremos alguns locais e não havia cerveja...

O pânico instalou-se!

Então para acalmar as ideias, resolvemos ir tratar dos aspectos secundários, e fomos por gasolina nos carros.

Não havia cerveja fresca no mercado de rua! E agora??!?!

Acabamos por encontrar uma barracazinha que tinha cerveja fresca, e lá compramos para encher a arca. Assim, resolvido o nosso principal problema, arrancamos que já se fazia noite.

Não foi fácil, darmos com a saída para o nosso destino intermédio, antes de ir à Conda, que eram as poças de água quente da Tacota.
Para ir a Conda é preciso passar pela Tacota!
(esta foto foi tirada já na manhã do outro dia)

Vai daí, andamos meio à nora, e fomos perguntando aos locais, que apanhávamos a cair de bêbedo pela estrada deserta.
Diziam-nos que era no 27.
"27... já sei, é no quilómetro 27, não é?"
Mas não, aparentemente a localidade ficava no quilómetro 16!
Então porquê o nome 27? Vai-se lá saber... Fazer mais como?

Finalmente demos com uma picada que descia à direita na estrada alcatroada. Benzemo-nos e viramos rumo à escuridão. Após uns bons minutos a andar sem saber se estávamos no caminho certo, resolvemos acreditar que sim, porque os dois carros que nos seguiam pensavam que dominávamos a coisa. E se eles acreditavam, nós também tinhamos que fazer o mesmo.
Até que chegamos às chamadas Três Pontes. Ou melhor, Uma Espécie de Três Pontes...

Uma ponte com muito bom aspecto, no meio da picada, na floresta densa na montanha. Perigoso? Lá nada!

Ao lado da ponte...
Havia que confiar na Apacominas. Certamente um grupo de excelentes profissionais.

Na dúvida se avançávamos ou não, parámos para debater o que fazer, de forma consciente e responsável:
Enquanto isso, bebia-se cerveja, para não ficarem quentes.

Em frente! Decidiu-se.

Finalmente lá chegamos... Tacota!

Montar tendas, para alguns, ajeitar o banco do Jimmy, para outros (eu... ), começar o braseiro, e preparar o jantar. Andar na letra com o segurança. Tudo isto, e ainda deu tempo para ir tomar uma banhoca, enquanto a brasa não estava no ponto.

Água a mais de 40º...
(sim, bem mais quente que as poças das Furnas)

Até queimava quando se punha os pés, imaginem lá o resto... Sim isso mesmo... Mas havia que insistir e ser mais teimoso que a dor! Afinal de contas éramos sete gajos e não um bando de meninas! Passado uns minutos, já estávamos assim meios cozidos e não sentíamos mais nada.
Com a água até ao pescoço, quase que adormecíamos ali...

Até que acordamos para a vida, se ninguém se levantar, a comida não se grelha sozinha.

O chouriço grelhado e as pernas cozidas lá atrás.
(sim, estão vermelhas da água)

Uns canitos assistiam ao nosso churrasco. Com aspecto muito inofensivo. Mas...

...à meia noite revelaram-se... Os sacanas disparavam raios pelos olhos!

Ainda houve tempo para estarmos num cenário tipo Vietman:
Nós debaixo de uma palhota, com neblina densa ao redor, vegetação tipo bananeira, e começou a cair uma chuva miudinha, os sapos a coaxar, e uns passarocos quaisquer para lá a fazer uns barulhos.
Embalados pelo som da floresta, do cansaço da viagem, e da cerveja, achei que eram horas de ir para a minha cadeira do Jimmy.

Só vos digo uma coisa... Acho que nunca dormi tão bem como nessa noite.

Mas certamente é uma experiência a não repetir.
(a não ser que tenha como alternativa pagar 60 usd por uma tenda)

Sonhei com a Conda a noite toda. Estava ansioso...
Será que era tão bom como dizem?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Road Trip - Primeiro dia

Fim de semana grande à porta, é sinal de grandes planos e viagens para longe da confusão, do barulho, da insegurança, do stress, do trabalho.
Quase toda a gente aproveita para passear e conhecer o que de bom Angola tem para oferecer. Nós não fomos diferentes, e lá fizemos uma espécie de planos.

Vamos arrancar no sábado, vamos ao Parque da Kissamba, dormimos lá, vamos a Cabo Ledo no dia seguinte, dormimos lá, e do regresso faz-se praia em Sangano. Simples!

Os planos para o fim-de-semana.

Então, no sábado ao almoço, saí do trabalho, já estava atrasado para me encontrar com o resto do pessoal no Belas, onde íamos almoçar e fazer compras.
Fui a casa às pressas, buscar o indispensável.
Vestir calções, t-shirt e chinelos, por toalha de praia, produtos de higiene, e mais alguma roupa na mochila, e toca a andar que se fazia tarde!
Não sei porquê mas saí de casa, com aquela sensação de que me esqueci de muita coisa importante para acampar um fim-de-semana fora!
Mas claro que não tinha!

Começou logo com o passaporte... Tinha ficado no meu carro...
(Fiz um total de 1000km, passamos 10 vezes pela polícia. E nunca fui parado. Acho que esgotei toda a minha sorte nesse fim-de-semana! Adiante.)

Paragem habitual no tasco mais badalado da povoação Km 30. Para matar a sede depois de uma extenuante tarde de esplanada e compras de supermercado, era obrigatório repor as forças!
O tasco!

E espantem-se, tem esse nome porque fica no 30º quilómetro a sul de Luanda! (aposto que nunca iriam descobrir a origem do nome!)

Uma foto para terem uma ideia do aspecto do Km 30.

A festa prometia! Tivemos todos muita pena de ter que arrancar...

Mas já se fazia noite, e arrancamos em direcção ao parque, onde íamos acampar. Sim isso, acampar. Aquela coisa que se faz com tendas. Sim isso, tendas. Aquela coisa que eu e o Fernando não tínhamos! Bom, mas também já tínhamos ouvido dizer que os Jimmy's até são confortáveis. Não havia maka!
O sol já se punha, como sempre cumpríamos escrupulosamente os planos.

Após sairmos do asfalto, rumo ao destino, a entrada para o parque é feita por um caminho de picada, com cerca de 10km, em que demoramos 1hora à noite, em estrada esburacada, e temos que passar por 3 pontos de controlo, com guardas do parque.


Já chegamos!
Bom, como dormir 2 noites seguidas no carro, podia vir a trazer consequências para a nossa velhice, eu e o Fernando decidimos alugar uma tenda. O preço? 60 dólares! Nada mais barato, deveria incluir jacuzzi e A/C! Pensamos nós convictos!

Não se fiem no exterior. Tinha melhor aspecto por dentro, acho eu...

Certo é que já tive em hotéis mais baratos que essa tenda... Mas fazer mais como?

Era hora de comer e programar o safari do dia seguinte. Haviam visitas feitas num Animog, que partiam às 6h da matina, por 25 dólares a cabeça, mas só que as reservas já estavam fechadas. Chegamos tarde, ao que parece... Agora só havia viagem com guia, por 50 dólares por carro. Ok, amanhã era dia, depois víamos.
O dito cujo.

A sala do banquete. Nosso e dos mosquitos!

O tacho!

Depois do tacho, tentamos arranjar um sítio para ver o Benfica ser roubado pelo Braga, mas o restaurante fechava cedo e nada feito. Também não perdemos muito, diga-se de passagem...
Pelo meio metemos conversa com o staff lá do parque, tentar saber quais as melhores horas para ir ver os bichos, e que tipo de bichos é que por lá havia...

Para muita tristeza nossa, não havia lá carnívoros. Nada de leões, tigres, hienas, leopardos ou o que quer que seja que nós pudéssemos ver a dilacerar uma gazela inocente, e a jorrar dos seus membros litros de sangue... A nossa viagem tinha sido em vão...
Bom, lá tínhamos nós que nos contentar com girafas e elefantes.

Nota: Angola sendo um país por excelência importador de quase tudo, não deixa de ser caricato que até os animais lá do parque, tenham sido adquiridos na África do Sul... Isso apesar das espécies serem angolanas. A guerra deixou as suas marcas.
Essa informação foi-nos dada pelo pessoal do parque.


Já se fazia tarde, e fomos todos dormir, mordido por milhares de mosquitos, aparentemente sem malária. (até à data ninguém ficou doente...) Os sacanas não nos largavam as pernas. Sim porque a certa altura eles já não conseguiam voar mais alto. Certamente por estarem com o bucho inchadíssimo de sangue, assim tipo nós com a cerveja em que só apetecia deitar e ficar a rebolar pelo chão.

Amanhã prometia!

sábado, 3 de outubro de 2009

Não há palavras...

Estava a circular de carro alegre e contente, quando assim do nada, a realidade deste mundo cruel entra-me olhos dentro...

Dorme ali abrigado.


Ninguém que se considere um ser humano, consegue ficar indiferente a uma situação dessas.

E eu que, vá lá, até me considero uma pessoa sensível à miséria humana, obviamente que não fiquei...


Ver na varanda de uma casa de luxo num condomínio de gente rica, um jovem sem abrigo que dorme, envolto numa caixa de cartão, para se abrigar do frio que se faz sentir na noite gelada. O contraste era gritante.

Quando já estava a sacar de uns kuazas para dar ao moço. Parei.. pensei...


Espera...


Há qualquer coisa que não bate bem neste cenário...


Espera...


Quer dizer, estamos em Angola, e são 15h30... Não faz frio nenhum! Aliás até está um sol do caraças...


Espera...


Este não é um condomínio de luxo qualque, é a minha obra..


Espera...


Este gajo não é um sem abrigo... ele trabalha para nós!


Então?!?!


Não é que estávamos em plena hora de trabalho, e o sacana, possivelmente exausto do muito esforço que fez ao ver os outros a trabalhar, deita-se ali enrolado nuns cartões a ver se ninguém dava por ele.

Afinal podia ser que ninguém reparasse, e o confundissem com o cerâmico do pavimento...
Não sei, podia ser que tivesse sorte!


Após uns breves segundos em que quase, quase, quase, fui piegas, corri com o gajo da obra!


Enfim como dizem por cá,

"Estamos em Angola."

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Açores à conquista de Angola...

Ontem tive uma noticia que teve efeitos distintos em mim.

Estupefacção, alegria, esperança.


Estupefacção, pelo facto de ver que a minha empresa não aprende. Já não bastava ter-me a mim em Angola, ainda vão mandar mais outro açoriano para essas terras.


Alegria, pelo facto de ser o que o meu jovem amigo queria, e de ele ter ficado na empresa após o estágio. (não, não meti nenhuma cunha!)


Esperança, pelo facto de contando com ele, seremos 4 moços oriundos dos Açores, que eu conheça, por cá (certo que um deles já é bem mais velho, e de não o conhecer muito bem, mas conta na mesma), e que quando menos derem por ela... Já estaremos a controlar isso tudo por aqui.


A bandeira açoriana.


Por cá te espero, Pavão.



PS1: Porta-te bem lá nos orçamentos, tens que manter o nível. A bitola é alta.

PS2: Não te deixes enganar pela francezinha.

PS3: Sei de um outro que pode começar a fazer as malas também.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A nova casa - provisória!

Parece sina.

A minha deambulação por Angola tem-se pautado por alojamentos provisórios...


Primeiro foi a Mulemba. Ahhhh, a Mulemba que saudades... Durou pouco, umas 3 semanas se a memória não me falha.


Segundo foi o apart-hotel, que seria por 2 ou 3 semanas no máximo até acabar o projecto. Estendeu-se por quase 4 meses... Não que eu me queixe ou seja mal agradecido... Até calhou bem!


Agora, é suposto ficar aqui até ser concluída o equipar da minha nova casa. Será?
Não desfiz as malas totalmente (é uma seca estar a fazer as malas novamente), e nem me instalei completamente na casa em termo de compras.


Bom, já lá vai um mês inteiro, e nada. Nem um aí! Nada!


O que me resta é esperar até ver. E talvez esteja na altura de desfazer as malas e apostar em mais um ou dois meses aqui...
Mas como toda a gente sabe, no preciso dia em que resolver instalar-me confortavelmente na casa, é no dia em que irei receber a tal chamada.

É o tal do Murphy, o sacana!



Uma das malas meio desfeita, à espera da chamada.


Guarda fato.


É verdade, não fiz a cama (a minha mãe teria vergonha...), mas a empregada não veio!


Agora umas fotos da minha magnifica vista da janela do meu quarto... Digam lá se não é bonito.

Musseque a perder de vista até ao horizonte...


Condomínio novo ali ao lado

Construção... Construção... Construção...


E como não podia deixar de ser, a piscina... é pequena, mas pronto, vá, eu aceito.


Enfim, cá estamos! O que vale é que o sol e o calor começam a aparecer. Ainda a tempo de aproveitar a piscina!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O regresso de um sem abrigo em situação provisória!

Estou de volta a Angola (sim, já se passaram umas 3 semanas desde que pôs os pés novamente em terras de terra).

Apesar de o corpo ter vindo no avião da TAAG, tenho andado meio perdido essas semanas, porque a cabeça ainda não estava cá. Daí não ter escrito nada aqui. Quando estou com cabeça já é o que é, imaginem o que sairia se não tivesse com cabeça...

O regresso custou mais do que a primeira viagem. Dessa vez não havia expectativa, nem esperança de que não fosse tão mau como pintam! Agora sabia mesmo ao que vinha. Se bem que eu não era dos que estava em pior estado ali no Boeing, houve quem eu desconfio que se tivesse para-quedas disponível saltaria sem pensar duas vezes, quando sobrevoávamos Gibraltar, Marrocos, Nigéria, no Congo talvez não, após 5 horitas já estava mais mentalizado.

Ao chegar, tal como eu já esperava, não tinha a minha casa pronta. Tivemos que ir pernoitar no estaleiro, com a comidinha lá pronta à nossa espera. Mesmo com as batatas fritas frias, e o arroz seco, as febras caíram que nem ginjas!
E só no dia seguinte o Bruno e o André foram levados à sua casa nova. O que até calhou bem, sempre foi menos um dia de trabalho.

E eu? Bem, a minha casa tinha sido assaltada quando estavam a equipá-la e a prepará-la para a minha mudança, ainda antes de ter o segurança contratado. Diria eu que é sempre um bom pronúncio!

Actualmente estou num outro apartamento, provisório (se bem que a última situação provisória em que estive, durou 3 meses e meio), até que completem de mobilar a casa.

Agora a dúvida persiste nas duas alternativas que se me apresentam:

A - Um apartamento, com mais um gajo, num condomínio fechado, piscina, campo de ténis, campo de futebol.

B - Uma vivenda, com 3 quartos, sem piscina, sem campos de nada, na qual o mais certo é morar lá sozinho, num condomínio meio para o estranho, e que já foi assaltada.

Talvez me incline para a hipótese A). Apesar da piscina ser mais pequena do que no apart hotel. Mas também não sou assim tão esquisito.

Mas não me parece muito provável que assim seja. A empresa já arrendou a vivenda por causa de mim, apesar de haver outros quartos livres com boas, e as rendas aqui pagam-se à cabeça, e é pelo ano todo. (a confiança nas pessoas e nos contractos aqui reina)
Por isso têm que por alguém lá a morar para justificar a asneira que um palhaço fez...


Ponto positivo, continuo a morar e a trabalhar por Luanda Sul.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Último dia

Caríssimos,

Escrevo esta breve mensagem, como sendo a última em solo africano, desta primeira etapa da minha aventura.

Certo é que tenho andado ocupado, e também sem cabeça nem inspiração (sem paciência também confesso), daí a reduzida actualização deste meu blogue.

A todos os que se lembram que eu existo, havemos de nos ver muito em breve.

Amanhã dia 6 de Agosto, levanto voo do aeroporto 4 de Fevereiro em Luanda, rumo à Portela, onde faço escala e só paro no aeroporto João Paulo II em Ponta Delgada, já no dia 7 de Agosto.

Esperam-me algumas horas de voos e aeroportos, muita seca pelo meio. Mas vale a pena, as saudades já são muitas. Quatro meses aqui dão cabo de qualquer um!

Só regresso a esta terra dia 24 de Agosto, e pelo meio regresso a Lisboa para passar uns dias por lá. (não podia deixar de ir ao CQNC!!!)


Até breve!

sábado, 25 de julho de 2009

Monumentos

Há muita coisa estranha em Angola. Julgo já ter mencionado isto uma ou outra vez. E como não podia deixar de ser, isso também se aplica aos monumentos.

Há um de mausoléu aqui em Luanda, que segundo conta, foi construído para serem lá sepultados os restos mortais de Agostinho Neto, o primeiro presidente angolano, pós independência. O complexo desta zona do monumento ainda está por acabar, e também não sei quando é que é suposto ficar pronto.
Ao que parece foi construído pelo soviéticos, que tinham relações muito próximas com o MPLA, durante a luta pela independência, bem como cuba, que enviou mercenários para combater.
Não são poucas as referências existentes aqui em angola à ex URSS e ao regime comunista, desde rua e avenidas (com nomes de Lenine e Karl Marx) à própria bandeira, com a sua foice e catana, algo semelhante à foice e martelo.

Mausoléu de Agostinho Neto.

Ao olharmos para o monumento, claramente que nos apercebemos da sua forma, digamos, diferente, e certamente que o mais semelhante que todos encontram com este monumento, é sem a menor dúvida...

Um foguetão!

Vai daí que derivada desta parecença e do seu breve historial, que alguns lhe chamam, à boca pequena, de "Spultnik".
Um trocadilho muito inteligente que pega no nome da primeira série de satélites soviéticos e na palavra sepultura (não esta, a normais).

Se há outros nomes? Eu nego categoricamente!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ainda...

É bastante usual estarmos a falar com um angolano e perguntar algo do género, "Então isto não está pronto?", já chateados de aquela merda não avançar, e obtermos uma resposta simples e concisa como "Ainda...", seguida de um sorriso.

Ok, ao início metia confusão. Mas ainda o quê? Ainda sim? Ainda não? Ainda? Só ainda?
Dá sempre aquela sensação de incompletude. Falta algo ali naquela resposta (e também no trabalho do gajo...).
Precisava que ele acrescentasse mais qualquer palavra, mas não, ficava-se por ali, a sorrir.


Certo é que a generalidade das pessoas após alguns instantes a puxar pela carola, concluem brilhantemente que o "ainda", nunca pode ser sim...
Que respondemos "ainda" sempre associado à sua conotação negativa. E que os parvos somos todos nós, os portugueses, que perdemos tempo, saliva, para não falar no trabalho que dá, ao acrescentar o não.

Será que é verdade?

Eu que não gosto nada deste tipo de desafios, lá me pus a pensar sobre se isto fazia sentido ou não.
E foi então que enveredei pela busca, aparentemente inglória, do "ainda sim", ou do "ainda talvez", de qualquer outro "ainda"! Tinha que existir, eu sentia-o aqui tão perto.
Certo é que nesta caminhada, descobri que não estava sozinho, há mais pessoas que, tal como eu, também acham que o "ainda", não pode ser sempre negativo.

Devido a este pequeno gesto da mais pura e inocente preguiça angolana, já se iniciaram grandes discussões e desenrolam-se debates acesos e acalorados, que opõem as duas facções extremistas. Nada de estranhar, todos nós sabemos que assuntos polémicos como a religião, política, o aborto ou o "ainda", tocam-nos sempre lá no íntimo de uma forma tão marcante que não deixa ninguém indiferente.

E após tudo isto, aposto que muitos de vocês já se entregaram de coração a tão fascinante assunto, e estão certamente a pensar quando é que se usa o "ainda" de forma não negativa.

Se eu já encontrei?

Ainda vou descobrir!

sábado, 4 de julho de 2009

As loiras Angolanas!

Eis o tema pelo qual todos os homens mais esperavam que eu falasse!

A cerveja!

Sim, em Angola há cerveja local. Mas também diga-se que as loiras expatriadas, vulgo Super Bock, Sagre ou Cristal, aí da tuga, frequentemente são avistadas nas mãos dos angolanos, muito para o agrado deles.
Claro que as dinamarquesas, nesse caso pequenas e loiras, não fogem à regra. Carlsberg fresquinha calha sempre bem no calor Mwangolé!


Agora vamos às loiras neguinhas, as cervejas locais! São três marcas diferentes. Que já vêm se não me engano ainda do tempo colonial. Há cartazes por toda a cidade, sendo um deles, um grande (da Cuca), já um marco de referência para orientação nas ruas sem placas de Luanda.

Para vos elucidar, e auxilio a trocadilhos de grande classe, dignos do Ferro nos seus dias mais inspirados, temos então:
- a Cuca (que não é brazuca);
- a Nocal (que é uma cerveja local...)
- a Eka (bem, esse é demasiado fácil... recuso-me).

Publicidade das 3 cervejas ao mesmo tempo. Uma estratégia de marketing no mínimo eficaz!

Talvez a cerveja seja das coisas mais consumidas aqui em Angola, a seguir à coca cola, ou à frente desta, ainda estou em dúvidas qual é que se vende mais. Há em todo o lado, e ainda bem!
Deixa o povo alegre e em condições de conduzir ainda melhor.

Confesso, aqui que ninguém nos houve, que até à data ainda só provei Cuca.
A cerveja é boa, bebe-se bastante bem, e sempre é mais barata do que as importadas (mas claro que eu não ligo a essas coisas... )
A bela da Cuca.

Quanto às outras, sinceramente ainda não lhes tomei o gosto. Tenho ficado pela Cuca...

Sabem, é que eu sou homem de uma cerveja só!