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terça-feira, 6 de abril de 2010

31.449.600 de segundos



Sim, é verdade!

- 31.449.600 segundos;
- 524.160 minutos;
- 8.736 horas;
- 364 dias;
- 12 meses;
- 1 ano;

Esse é o tempo que já se passou desde que embarquei num avião da TAG (que não era bem da TAG, e sim Sul Africano, porque a TAG estava na lista negra Europeia e proibida de voar no espaço seu aéreo, mas vai dar ao mesmo, porque foi a passagem foi paga à TAG.) pela primeira vez na vida.

Não vou fazer um texto de retrospecção, de um apanhado de ideias, do que foi bom, mau ou assim assim. Nada disso... não tenho paciência para escrever, nem vocês para ler!
(isso é coisa mais para o Bruno fazer... )

Só sei que esse ano passou mais rápido do que pensava.
E o país hoje, não é o mesmo país que eu conheci.
Não sei quem mudou, se eu adaptei-me ou se foi Angola evoluiu.
Sinceramente acho que foi mais a primeira do que a segunda.

Sinto-me nostálgico...

terça-feira, 9 de março de 2010

A queda do mito: nº 1

Vou inaugurar um série de imenso sucesso internacional, e quem sabe talvez nacional, que espero que tenha mais do que um capítulo, se não tiver, também estou completamente a lixar-me.

Esta série irá tentar quebrar muitas das ideia e frases feitas que existem na tuga sobre angola, país e povo, e que ouvimos vezes sem conta quando nas nossas pacatas férias, bombardeiam-nos sempre com as mesmas perguntas.

Ao início ainda tem piada, depois começa a chatear, e por fim apetece mandar dar uma volta. Aliás isso até foi uma das principais razões que me levou a escrever um blog, contar as coisas, de modo a perguntarem-me menos. Isso e procurar meter nojo sempre que posso.

Bom, isso tudo porque esse foi um fim-de-semana grande, porque aqui os angolanos dão muito valor à mulher, e respeitam-a acima de tudo, por isso resolveram fazer do dia 8 de Março, um feriado, para que a dama possa ficar em casa a descansar, depois, claro está, de fazer o almoço, jantar, lavar a casa, passar a ferro e tratar dos putos.

Então resolvemos ir na segunda fazer praia e almoçarada a Sangano (lá está o mete nojo).

Armados em pulas abastados, que chegam a Angola, e como a lagosta e todo o marisco em geral é barato, e abunda de modo absurdo, chegando ao ponto das lagosta virem dar à costa devido à sobre lotação do mar. Pelo menos é isso que rezam as lendas.

Pois bem, então lá pedimos um prato de lagosta, pela módica quantia de 3000 kz (26€), sempre é mais barato do que em Portugal, pensei.
O repasto consistia num bicharoco desses grelhado, acompanhado de batata frita (algo novo para mim...). Enquanto salivávamos à espera do tacho, imaginando um espécime crustáceo de tamanho épico, que transbordaria da travessa, e cujas pinças não caberiam na minha mão, lá bebíamos a bela da cervejinha fresca.

Ah pois... Puro delírio...

Nisto, passado meia hora, à espera, num restaurante em que se esgotaram as entradas, apenas havia agora pão e manteiga, mas... nem vê-lo... bebermos uma cerveja quente, e outra aceitável com a barriga a roncar,

Martinho esfomeado.

Quando finalmente chega-nos à mesa: O Prato!

Com, pasmem-se, não uma, não duas, mas sim três magníficas lagostas! E pelo mesmo preço!


Lagosta bebé...

Senti-me assim como que, vá lá, uma espécie de pedófilo do mundo crustáceo, mas apesar de tudo, confessar envergonhadamente que até estava saboroso e comi que nem um alarve.

O empregado a rir como só os angolanos sabem fazer quando supostamente deveriam estar atrapalhados ou estão a levar corrida, diz-nos que meteram mais lagostas em cada prato para compensar serem pequenas.
Podiam ter dito antes, se quisesse comer camarões tinha pedido.

Finda a refeição, é daqueles casos em que se diz, "As entradas estavam boas. Quando é que chega o prato principal?"

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dakar voltou à África!

O todo poderoso Jimmy. A única máquina a concorrer.

Pois é meus amigos, após um interregno de um par de anos, eis que a prova rainha do todo o terreno regressa às origens. Só que ninguém ouviu falar disso, e apenas participaram dois concorrentes.
Eu e o Paulo!
O meu concorrente directo.


Eu tinha o Bruno como navegador. E o Paulo ia com o Félix e o Ambrósio.


Atingiram-se velocidades alucinantes!!
(em segunda, com as redutoras ligadas)


Tudo começou quando o Félix arranjou a casa da empresa que fica lá no Mussulo, e nós decidimos ir passar lá o fim-de-semana. É uma casota pré-fabricada, em que a empresa disponibiliza um empregado que nos faz tudo. Cozinha, limpa, arruma, faz lume. Vive-se à patrão!

Só que ir de barco para lá não tem a mínima piada... 5 minutos e já está (caminho a amarelo na foto abaixo). Não! Alguém lembrou-se de ser diferente.
Ilha do Mussulo
(Obrigado ao Bruno pelo trabalho. Ainda lhe vou roubar mais fotos e vídeos)

Como um de nós já tinha ouvido dizer, um certo dia, que alguém já tinha ido de jeep por terra (caminho a vermelho), que é um caminho só de areia solta e fofa, e que achava que era possível lá chegar por essa via, à última hora, como mandam as regras, mudança de planos!


Resumindo, ninguém sabia o caminho nem tinha ido lá antes por terra, eram mais ou menos 15h e faz noite escura às 18h00. Ninguém sabia a distância exacta até à casa. Ninguém sabia quanto tempo se levava. Ninguém sabia qual o melhor caminho. Ninguém sabia se havia algum trilho que não tinha saída. Nada! Só tinha meio depósito de gasolina para ir e vir, o que prontamente afirmaram com muita convicção "Meio depósito? Dá perfeitamente!". A minha experiência em condução na areia era nula, em todo terreno, a mesma coisa!

O que é que poderia correr mal nesta viagem?

Se ao menos tivéssemos algum sinal, que algo poderia correr mal...
Bom, como não tivemos qualquer tipo de sinal. Lá seguimos viagem todos alegres e contentes!
2 Jeeps Jimmys e 5 gajos, com 2 grades de cerveja e comida. Não nos faltava nada!


Então, sentido a pressão de estarmos com horário apertado, porque não podíamos apanhar a noite pelo caminho, sob o risco de nos perdermos, urgia despachar.
Por isso, pelo caminho paramos no tasco do costume para um cervejinha fresquinha. Há que definir prioridades!



Entretanto, acabamos por encontrar pessoal da empresa, que iam acampar numa zona no início do percurso, e que ficaram espantados por irmos assim, sem nunca termos feito o percurso, ou sem qualquer experiência.

"Já lá fui buscar uns quantos. Não vos vou buscar também."

Foram algumas das muitas conversas de encorajamento que nos dirigiram...

Entretanto, sugeriram-nos baixar a pressão dos pneus, e ajudaram-nos na tarefa, com um aparelho que lá tinham.

Mas claro que não precisavam de o fazer, porque obviamente que foi a primeira coisa em que nós pensamos... Ok?

Nós não somos assim tão inconscientes... O que é que julgam?
Afinal sempre trouxemos uma corda!

Paragem nas "boxes", para afinar a pressão dos pneus!

Ligamos as redutoras e lá arrancamos nós novamente!



Jimmy com as redutoras a cavar na areia solta. Claro que ficou atolado logo no arranque... Isso prometia!

Trilho de areia.

A perseguição

Sempre a "abrir"(dentro dos possíveis).



O cenário desértico que nos rodeava pelo percurso.

Pode-se dizer que este é o cenário ideal para nos perdermos.
Pensam vocês, é mesmo parvo, bastava telefonar para o outro.
Claro, e dizíamos, "Olha, estamos aqui, naquela estrada de areia. Tas a ver?"

Por isso, nós nos perdemos... Havia que dar alguma emoção à coisa. Passado alguns minutos, encotramo-nos não sei bem como, para passados 10 metros, atolarmos com o Jimmy a ir contra um banco de areia. Assim como que naufragar, estão a ver?


O reencontro emocionante. Chegaram-se a derramar lágrimas...


A escavar a areia por baixo do carro.

Com essas tretas todas, fez-se noite escura. Por meio de palmeiras, e barracas de alguns moradores, lá fomos nós à sorte a tentar dar com a casa. A alternativa era dormir no carro. E com o Bruno ao meu lado, não podia arriscar! Havia que encontrar a casa a todo o custo!

A visibilidade que tínhamos na última hora de viagem.

Apesar de nada dar a entender que poderiam acontecer, tivemos alguns percalços, mas lá chegamos à casa, e comemos e bebemos noite fora.

A praia à porta da casa. Foi acordar, arrastar-me por 4 metros, a muito custo, e deitar na areia. Valeu o esforço!

Na contra-costa (do lado do Atlântico).

O André e o Fernando trabalharam no sábado da tarde, por isso juntaram-se a nós no domingo.
Foram de barco... Mesmo meninos!


Eu sabia que ia correr qualquer coisa mal!
A merda da máquina avariou...
A última foto da minha máquina...

No regresso, a meio caminho acende a luz da reserva... Boa! Tendo em conta que com as redutoras 4x4 ligadas, o sacana do carro bebe gasolina mais rápido que a gaja que vimos lá no Mussulo bebeu uma lata de Cuca que roubou de outra gaja (é uma longa história...), fiquei realmente preocupado.
Mas só havia uma coisa a fazer: Seguir em frente sempre a fundo! Se não atolávamos.

Surpreendentemente, no regresso não houve ninguém atolou, nem a gasolina acabou. E a viagem correu às mil maravilhas.


Foi uma experiência altamente, daquelas que valem mesmo a pena passar, apesar de tudo, e que ficam para sempre marcadas. (que o digam o André e o Fernando que vieram à boleia no regresso, ainda devem ter mazelas da porrada que levaram no banco de trás.)


Por isso já sei.


Para a próxima vou de barco!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A nova casa - provisória!

Parece sina.

A minha deambulação por Angola tem-se pautado por alojamentos provisórios...


Primeiro foi a Mulemba. Ahhhh, a Mulemba que saudades... Durou pouco, umas 3 semanas se a memória não me falha.


Segundo foi o apart-hotel, que seria por 2 ou 3 semanas no máximo até acabar o projecto. Estendeu-se por quase 4 meses... Não que eu me queixe ou seja mal agradecido... Até calhou bem!


Agora, é suposto ficar aqui até ser concluída o equipar da minha nova casa. Será?
Não desfiz as malas totalmente (é uma seca estar a fazer as malas novamente), e nem me instalei completamente na casa em termo de compras.


Bom, já lá vai um mês inteiro, e nada. Nem um aí! Nada!


O que me resta é esperar até ver. E talvez esteja na altura de desfazer as malas e apostar em mais um ou dois meses aqui...
Mas como toda a gente sabe, no preciso dia em que resolver instalar-me confortavelmente na casa, é no dia em que irei receber a tal chamada.

É o tal do Murphy, o sacana!



Uma das malas meio desfeita, à espera da chamada.


Guarda fato.


É verdade, não fiz a cama (a minha mãe teria vergonha...), mas a empregada não veio!


Agora umas fotos da minha magnifica vista da janela do meu quarto... Digam lá se não é bonito.

Musseque a perder de vista até ao horizonte...


Condomínio novo ali ao lado

Construção... Construção... Construção...


E como não podia deixar de ser, a piscina... é pequena, mas pronto, vá, eu aceito.


Enfim, cá estamos! O que vale é que o sol e o calor começam a aparecer. Ainda a tempo de aproveitar a piscina!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O regresso de um sem abrigo em situação provisória!

Estou de volta a Angola (sim, já se passaram umas 3 semanas desde que pôs os pés novamente em terras de terra).

Apesar de o corpo ter vindo no avião da TAAG, tenho andado meio perdido essas semanas, porque a cabeça ainda não estava cá. Daí não ter escrito nada aqui. Quando estou com cabeça já é o que é, imaginem o que sairia se não tivesse com cabeça...

O regresso custou mais do que a primeira viagem. Dessa vez não havia expectativa, nem esperança de que não fosse tão mau como pintam! Agora sabia mesmo ao que vinha. Se bem que eu não era dos que estava em pior estado ali no Boeing, houve quem eu desconfio que se tivesse para-quedas disponível saltaria sem pensar duas vezes, quando sobrevoávamos Gibraltar, Marrocos, Nigéria, no Congo talvez não, após 5 horitas já estava mais mentalizado.

Ao chegar, tal como eu já esperava, não tinha a minha casa pronta. Tivemos que ir pernoitar no estaleiro, com a comidinha lá pronta à nossa espera. Mesmo com as batatas fritas frias, e o arroz seco, as febras caíram que nem ginjas!
E só no dia seguinte o Bruno e o André foram levados à sua casa nova. O que até calhou bem, sempre foi menos um dia de trabalho.

E eu? Bem, a minha casa tinha sido assaltada quando estavam a equipá-la e a prepará-la para a minha mudança, ainda antes de ter o segurança contratado. Diria eu que é sempre um bom pronúncio!

Actualmente estou num outro apartamento, provisório (se bem que a última situação provisória em que estive, durou 3 meses e meio), até que completem de mobilar a casa.

Agora a dúvida persiste nas duas alternativas que se me apresentam:

A - Um apartamento, com mais um gajo, num condomínio fechado, piscina, campo de ténis, campo de futebol.

B - Uma vivenda, com 3 quartos, sem piscina, sem campos de nada, na qual o mais certo é morar lá sozinho, num condomínio meio para o estranho, e que já foi assaltada.

Talvez me incline para a hipótese A). Apesar da piscina ser mais pequena do que no apart hotel. Mas também não sou assim tão esquisito.

Mas não me parece muito provável que assim seja. A empresa já arrendou a vivenda por causa de mim, apesar de haver outros quartos livres com boas, e as rendas aqui pagam-se à cabeça, e é pelo ano todo. (a confiança nas pessoas e nos contractos aqui reina)
Por isso têm que por alguém lá a morar para justificar a asneira que um palhaço fez...


Ponto positivo, continuo a morar e a trabalhar por Luanda Sul.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Último dia

Caríssimos,

Escrevo esta breve mensagem, como sendo a última em solo africano, desta primeira etapa da minha aventura.

Certo é que tenho andado ocupado, e também sem cabeça nem inspiração (sem paciência também confesso), daí a reduzida actualização deste meu blogue.

A todos os que se lembram que eu existo, havemos de nos ver muito em breve.

Amanhã dia 6 de Agosto, levanto voo do aeroporto 4 de Fevereiro em Luanda, rumo à Portela, onde faço escala e só paro no aeroporto João Paulo II em Ponta Delgada, já no dia 7 de Agosto.

Esperam-me algumas horas de voos e aeroportos, muita seca pelo meio. Mas vale a pena, as saudades já são muitas. Quatro meses aqui dão cabo de qualquer um!

Só regresso a esta terra dia 24 de Agosto, e pelo meio regresso a Lisboa para passar uns dias por lá. (não podia deixar de ir ao CQNC!!!)


Até breve!

sábado, 25 de julho de 2009

Monumentos

Há muita coisa estranha em Angola. Julgo já ter mencionado isto uma ou outra vez. E como não podia deixar de ser, isso também se aplica aos monumentos.

Há um de mausoléu aqui em Luanda, que segundo conta, foi construído para serem lá sepultados os restos mortais de Agostinho Neto, o primeiro presidente angolano, pós independência. O complexo desta zona do monumento ainda está por acabar, e também não sei quando é que é suposto ficar pronto.
Ao que parece foi construído pelo soviéticos, que tinham relações muito próximas com o MPLA, durante a luta pela independência, bem como cuba, que enviou mercenários para combater.
Não são poucas as referências existentes aqui em angola à ex URSS e ao regime comunista, desde rua e avenidas (com nomes de Lenine e Karl Marx) à própria bandeira, com a sua foice e catana, algo semelhante à foice e martelo.

Mausoléu de Agostinho Neto.

Ao olharmos para o monumento, claramente que nos apercebemos da sua forma, digamos, diferente, e certamente que o mais semelhante que todos encontram com este monumento, é sem a menor dúvida...

Um foguetão!

Vai daí que derivada desta parecença e do seu breve historial, que alguns lhe chamam, à boca pequena, de "Spultnik".
Um trocadilho muito inteligente que pega no nome da primeira série de satélites soviéticos e na palavra sepultura (não esta, a normais).

Se há outros nomes? Eu nego categoricamente!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ainda...

É bastante usual estarmos a falar com um angolano e perguntar algo do género, "Então isto não está pronto?", já chateados de aquela merda não avançar, e obtermos uma resposta simples e concisa como "Ainda...", seguida de um sorriso.

Ok, ao início metia confusão. Mas ainda o quê? Ainda sim? Ainda não? Ainda? Só ainda?
Dá sempre aquela sensação de incompletude. Falta algo ali naquela resposta (e também no trabalho do gajo...).
Precisava que ele acrescentasse mais qualquer palavra, mas não, ficava-se por ali, a sorrir.


Certo é que a generalidade das pessoas após alguns instantes a puxar pela carola, concluem brilhantemente que o "ainda", nunca pode ser sim...
Que respondemos "ainda" sempre associado à sua conotação negativa. E que os parvos somos todos nós, os portugueses, que perdemos tempo, saliva, para não falar no trabalho que dá, ao acrescentar o não.

Será que é verdade?

Eu que não gosto nada deste tipo de desafios, lá me pus a pensar sobre se isto fazia sentido ou não.
E foi então que enveredei pela busca, aparentemente inglória, do "ainda sim", ou do "ainda talvez", de qualquer outro "ainda"! Tinha que existir, eu sentia-o aqui tão perto.
Certo é que nesta caminhada, descobri que não estava sozinho, há mais pessoas que, tal como eu, também acham que o "ainda", não pode ser sempre negativo.

Devido a este pequeno gesto da mais pura e inocente preguiça angolana, já se iniciaram grandes discussões e desenrolam-se debates acesos e acalorados, que opõem as duas facções extremistas. Nada de estranhar, todos nós sabemos que assuntos polémicos como a religião, política, o aborto ou o "ainda", tocam-nos sempre lá no íntimo de uma forma tão marcante que não deixa ninguém indiferente.

E após tudo isto, aposto que muitos de vocês já se entregaram de coração a tão fascinante assunto, e estão certamente a pensar quando é que se usa o "ainda" de forma não negativa.

Se eu já encontrei?

Ainda vou descobrir!

sábado, 4 de julho de 2009

As loiras Angolanas!

Eis o tema pelo qual todos os homens mais esperavam que eu falasse!

A cerveja!

Sim, em Angola há cerveja local. Mas também diga-se que as loiras expatriadas, vulgo Super Bock, Sagre ou Cristal, aí da tuga, frequentemente são avistadas nas mãos dos angolanos, muito para o agrado deles.
Claro que as dinamarquesas, nesse caso pequenas e loiras, não fogem à regra. Carlsberg fresquinha calha sempre bem no calor Mwangolé!


Agora vamos às loiras neguinhas, as cervejas locais! São três marcas diferentes. Que já vêm se não me engano ainda do tempo colonial. Há cartazes por toda a cidade, sendo um deles, um grande (da Cuca), já um marco de referência para orientação nas ruas sem placas de Luanda.

Para vos elucidar, e auxilio a trocadilhos de grande classe, dignos do Ferro nos seus dias mais inspirados, temos então:
- a Cuca (que não é brazuca);
- a Nocal (que é uma cerveja local...)
- a Eka (bem, esse é demasiado fácil... recuso-me).

Publicidade das 3 cervejas ao mesmo tempo. Uma estratégia de marketing no mínimo eficaz!

Talvez a cerveja seja das coisas mais consumidas aqui em Angola, a seguir à coca cola, ou à frente desta, ainda estou em dúvidas qual é que se vende mais. Há em todo o lado, e ainda bem!
Deixa o povo alegre e em condições de conduzir ainda melhor.

Confesso, aqui que ninguém nos houve, que até à data ainda só provei Cuca.
A cerveja é boa, bebe-se bastante bem, e sempre é mais barata do que as importadas (mas claro que eu não ligo a essas coisas... )
A bela da Cuca.

Quanto às outras, sinceramente ainda não lhes tomei o gosto. Tenho ficado pela Cuca...

Sabem, é que eu sou homem de uma cerveja só!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Suínos


"Porco é a denominação vulgar dada às diferentes espécies de mamíferos bunodontes, artiodáctilos, não ruminantes a que pertence o porco doméstico."


Hoje sinto-me um porco!

Após 3 meses aqui em Angola, e depois de ouvir muitas histórias, eis que me saiu na rifa esta manhã.

Abro a torneira, e começo a ouvir uns sons estranhos... Nada de água... Espero... Espero...
Vou tomar o pequeno almoço sempre com a torneira aberta... Nada...

Bom, lá fui eu trabalhar!

És um porco imundo! Já dizia a canção...

PS: Só espero mesmo ter água quando chegar a casa agora...

sábado, 27 de junho de 2009

Tradições ancestrais...

Sendo Angola um país antigo, com uma matriz cultural muito enraizada, os costumes e tradições vão sendo transmitidos de geração em geração, absorvidos pelos mais novos, adaptando-se aos constrangimentos do mundo moderno.

Não deixa de ser curioso que, o casamento, um cerimónia tão marcante em qualquer cultura ou sociedade, tenha sido tão corrompido como aqui em Luanda.

O "alembamento" (penso que é assim que se escreve) ainda mantém-se bem vivo. Para quem não sabe, esta tradição é uma espécie de dote, mas ao contrário. O coitado do noive é que tem que entregar algo, indo desde cabazes a caixas de cerveja, ao pai da noiva para comprar, perdão, para ter a honra de ter a mão da sua filha em casamento.

O que me fascina é o ritual, muito caricato, que se repete com bastante frequência ao que parece. Ainda ontem, vimos 3 diferentes à hora do jantar!
Os noivos e convidadas, após o casório, deslocam-se ao Belas Shoping, onde passeiam-se pelos corredores, recebendo os parabéns de quem por lá passa.
Tiram fotos, tal como em qualquer parte do mundo, só que em vez de ser com flores e majestosos jardins como pano de fundo, têm direito ao cartaz dos Transformers, ou do Ice Age 3.


Não entendam isso como fazer pouco dessas pessoas. É que não existem jardins públicos, não existem espaços privados acessiveis.
Acho que isso tem uma explicação muito mais profunda, é simplesmente o facto de Luanda não ter condições para uma classe média.
Se formos para um sítio minimamente decente e pagam-se logo balúrdios, ou não há alternativas com condições. Desde as casas dos noivos serem pequenas, aos "tascos" que, enfim... Só mesmo os ricos é que podem ter bodas típicas. Os outros, que são a maioria, têm que se desenrascar...

Vendo bem, não há mesmo alternativa melhor, o Belas Shoping não se paga (além do parque), tem um aspecto limpo e arranjado, e é espaçoso! E assim se criam tradições.

Agora o que me deixa curioso é, para onde iam estas pessoas há dois anos atrás quando não havia Belas?


sábado, 20 de junho de 2009

Monotonia

Apercebi-me que Angola é muita propicia à monotonia.

Não me refiro a momentos em que não temos o que fazer, ou a todos os dias serem iguais.
Porque Angola é uma verdadeira caixinha de surpresas, nunca se deve dizer que já vimos de tudo, há sempre alguém que ainda nos consegue fazer pensar, "Mas que merda é esta?!?!".
O certo é que com o passar do tempo, muitas coisas inicialmente estranhas já são filtradas e assumimo-las como normais de tão frequentes que são.

Neste país, ao contrário do nosso Portugal, o clima varia pouco. Só existem 2 estações, por assim dizer. O verão e a época do cacimbo. Por estranho que pareça, é no verão que chove.

Verão, começa a meio de Agosto e acaba a meio de Maio. Temperaturas constantes de 30s e tais, e uma humidade absurda. O sol é uma constante todo o santo dia.

Já no Cacimbo faz, digamos, frio. As temperaturas rondam os 26º durante o dia, à noite fica mais fresquinho, podendo chegar aos 23º. Por isso é altura de por as mantas na cama!
O cacimbo faz lembrar um pouco o clima em S.Miguel, o céu muito nublado e cinzento, com o sol a espreitar de vez em quando. Dura apenas 3 meses, Maio a Agosto, que é quando Portugal rouba o sol aqui no hemisfério sul.

A monotonia vai ao extremo de não mudar a hora. É sempre igual! Até o tempo é monótono. Agora é a mesma hora que em Portugal, e no inverno é uma hora a mais. O sol nasce às 6h e põe-se às 6h sempre, não falha!

Poderão os mais abertos ao mundo da moda (desminto categoricamente que o recurso ao termo aberto tenha o intuito de fazer humor com os homens que habitam no mundo da moda), pensar que esta é também monótona em Angola. Mas não!
Com o fim do verão em Maio, assisti no telejornal local à abertura da época cacimbo/cacimbo (não varia sentido aplicar o termo outono/inverno), com as camisa de manga inteira, saias até ao joelho (mas nada de meias de vidro, porque fica muito quente) e os mais diversos acessórios indispensáveis para ultrapassar o frio.

Não é de todo estranho vermos na rua alguém de t-shirt e cachecol ao pescoço durante o dia, sendo que à noite já há quem se socorra de umas boas luvas de lã!
Não vá terem uma hipotermia com os 23º nocturnos que se fazem sentir!
E assim se quebra a monotonia.
Ela pensa que está frio? Nunca esteve em Luanda no cacimbo...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ilha do Mossulo

Definição de ilha que aprendi ainda estava eu na primária, por entre tabuadas e rios de Portugal:

"É uma porção de terra rodeada por mar em todos os lados."

O que não sabia é que a minha professora estava a enganar-nos a todos, aproveitando-se da nossa inocência. Esta é a definição dela, porque aqui em Angola, uma ilha é uma porção de terra com água numa grande parte desta.
Mas isso não é uma península? Perguntam vocês.
Claro que não! Venham a Angola e vejam a ilha do Mussulo. E vejam lá se a quem é que tem razão.
"Ilha" do Mussulo.

Bem o certo é que só ao fim de 2 meses e meio aqui em Luanda, até tenho vergonha de o dizer, é que finalmente fui ao Mussulo!
Não este Mussulo, porque neste como sou pula já tentei e foi parado à porta. Fui a ao outro Mussulo, onde o que mais se vê são pulas cotas e com mania (alguns são mesmo) de que são ricos.

No dia anterior, o André tinha combinado com uns colegas de St André, encontrarmo-nos com eles lá no domingo de manhã. Como tínhamos saído no sábado, custou bastante acordar às 10h para nos pormos a caminho. Partimos apenas eu e o André, o Bruno não aguentou e ficou a dormir.

Uma manhã típica de cacimbo. Luanda ao longe sob névoa.

Ao aproximar do embarcadouro, já um controlador corre para nós, a indicar o caminho. Arranjou um barco para nós, e não foi um barco qualquer... Era um francês!
Entramos para o barco, depois de combinar o preço, que já subiu para os 5€ por pessoa e por viagem. O mestre Mané Cáfua cobrava bastante menos, e ainda controlava o leme com a anca...

A viagem demorou uns 5/10mins, porque o nosso destino era o Barsulo, que fica um pouco mais afastado do embarcadouro.
Umas casinhas de férias no meio da ilha.
O cacimbo tem dessas coisas, depois o tempo abre.


Zona do Barsulo, com umas espreguiçadeiras, que podem ser nossas por meros 7,5€. Uma pechincha.

Como a zona de praia do Barsulo fica virada para Luanda, fomos atravessar a língua de areia, perdão, a "ilha", para a costa atlântica. Este lado é muito mais sossegado, menos gente, mais espaço, melhores praias, e um mar mais porreiro.

A travessia.
Há pessoas que vivem por aqui, uns putos a brincar.

Um porco habitante, ou um habitante porco. Acho que nessa foto vemos os dois.


Ao chegarmos lá, só tinha um grupo de pessoas uns 500m mais ao lado, fora isso, ninguém. Excepto uns palhaços de moto quatro que passaram pelo areal. Parece que estas motas agora estão na moda por aqui, é só ver moto quatros pelas ruas de Luanda, e à venda no Belas Shoping.

Quilómetros de praia e areia só para nós.

Regressamos à base depois da banhoca, e completamente esfomeados. Dado termos decidido a viagem ao Mussulo assim meio às pressas, não tivemos tempo de preparar a marmita, e então tivemos que comer lá mesmo no Barsulo. Não vos aconselho a fazerem isso frequentemente, porque não é saudável para o vosso extracto bancário. Um prego e uma cola foram 21€! Mas a fome é que manda, e uma vez não são vezes.

Barsulo, onde um sumo natural custa 15€.

Ainda houve tempo para uns joguinhos de volei, 3 contra 3, numa renhida e disputadíssima exibição do mais alto nível de "beach volei", que encheriam o Maia e Brenha de vergonha. De serem da mesma terra que nós, obviamente.

Ao vim do dia, telefonamos ao gajo do barco para nos vir buscar, e lá apareceu ele, e foi rápido até. Pagamos novamente os 5€ para a viagem de regresso (há quem combine pagar ida e volta no fim do dia, para não correrem o risco de ele não aparecer). E lá seguimos viagem de regresso à confusão.
Mussulo a ficar para trás.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Manual do Expatriado para Totós

Angola tem sido vista por muitos portugueses como o novo El Dorado, no entanto é preciso ver que isto aqui não é o país das maravilhas, já muitas empresas tentaram entrar aqui e deram-se mal, com prejuízos consideráveis. O mesmo se pode dizer relativamente a muitos trabalhadores, iludidos com o ordenado proposto (aí os dólares), e não fazendo contas aos gastos que aqui têm, acabam por ficar quase na mesma do que se trabalhassem em Portugal, só que estão longe.

Por isso, na sequência da brilhante e vasta colecção da Porto Editora "Para Totós", vou deixar-vos aqui algumas considerações minhas, que valem o que valem, mas sempre ajuda a perceber um pouco mais a realidade que aqui vão encontrar.

Dado aqui falar-se muito em dólares, quando se tratam de valores mais significativos, e porque $1200 usd são 900€, às vezes poderá dar a sensação de ser uma quantia muito maior, portanto vou falar sempre em Euros.

- Visto
O visto ordinário, permanência de 30 dias (renovável por mais 30), pode demorar um mês ou mais a consegui-lo, quanto ao de trabalho (válido por um ano), é necessário contrato de trabalho, e passados 2 meses de cá estar, ainda estamos à espera. Mas o processo sempre pode ser "agilizado".

- Viagens
Para Luanda só existem duas companhias com voos directos de Portugal, a TAP e a TAAG (através da South African Airlines, porque está impedida de voar para a Europa). Pode ir dos 1200€ até aos 2000€ , sendo que na TAP são mais caras. Não ter as viagens a Portugal pagas pode ser muito mau para o bolso.
Se fizermos 3 viagens num ano, são perto dos 4500€, o que equivale a 200€/mês aproximadamente.

- Estadia
As casas em Luanda atingem valores exorbitantes, quer na compra, quer no arrendamento. Ouve-se falar em valores que vão desde os 2000€/mês, por um cubículo T1, a 20.000€/mês, por uma casa com 3 ou 4 quartos. Certo é que ainda ontem, um local nos disse que pagava cerca de 200€/mês por uma casita fora da cidade, com boas condições... Agora, não sei é a localização nem as condições. Um branco não pode ir morar para qualquer sítio aqui em Luanda, disso não tenho dúvidas, e geralmente as casas, condomínios ou edifício, não é nada de estranhar terem um segurança à porta.
Para além dos custos, também não é fácil encontrar casas disponíveis, por isso se a vossa empresa não tratar da estadia, contem com um rombo no orçamento e uma carga de trabalhos.

- Condições da habitação

Faltas de electricidade e de água, são o dia a dia de muita gente aqui em Luanda. Por isso se não querem ficar privados de água para o banho durante 4 ou 5 dias, e ter a comida a descongelar ou a apodrecer no frigorífico, arranjem uma casa com gerador eléctrico, depósito de água e bomba. Obviamente que isso faz a diferença na hora da renda.
Isso, e a quantidade de espécies animais e de rastejantes com que irão co-habitar. Em edifícios mais antigos no centro de Luanda, esperem por um ou outro rato nas escadas e baratas, se entram ou não no apartamento, isso depende da vossa hospitalidade, e da vossa necessidade de fazer amigos novos, ou ter um animal de estimação exótico.
Aqui nesse ponto não me posso queixar, porque a empresa tratou de tudo, desde casa aos equipamentos.

- Alimentação
Fazendo uma alimentação típica de um trabalhador em Portugal, ou seja, almoçar fora, e jantar em casa, façam contas com um custo médio entre 12€ a 20€ por almoço num tasco (isso se não forem muito esquisitos nem membros da ASAE), fica em mais ou menos 300€/mês para almoços. Juntem mais uns 300€/mês para compras e refeições em casa, e alimentação pode ir até aos 600€ ou mais.
Façam contas ao que gastam em Portugal e multipliquem por 2, para terem uma ideia do que podem gastar.

- Carro
Os carros em Angola até que não são caros, mas não deixa de ser um investimento a fazer caso a empresa não inclua nas condições oferecidas. Além disso, têm um desgaste grande, devido às condições da estrada e distâncias. Ter A/C é 100% recomendável, visto que não vai querer andar de vidros abertos com o carro parado em filas, é sempre uma janela de oportunidade (belo trocadilho...) que se abre para os amigos do alheio.
A Gasolina aqui custa 40cts o litro, é barata. Atesta-se um depósito de 40lts por 16€. Não vai ser por aí que se fica pobre.
Eu diria que é obrigatório ter carro, os transportes públicos não são eficientes, nem muito utilizados pelos pulas.

- Carta de condução
Após termos visto de trabalho já podemos pedir carta angolana. Até lá, uma carta internacional (faz-se num qualquer Automóvel Clube de Portugal) dá para o gasto.
Já ouvi dizer que a carta portuguesa e válida por cá, mas não confirmo isso. Depois da história do Mantorras as coisas ficaram meio confusas por cá. E quanto menos brechas para gasosa dermos aos agentes da autoridade, maior terá de ser a capacidade de imaginação deles na hora. E sempre se pode apreciar as verdadeiras pérolas que dali saem.

- Staff
Aqui inclui-se empregada, segurança, motorista. Não recebem ordenados muito elevados, podendo andar à volta dos 300€/mês. O segurança geralmente é do condomínio, a empregada dá sempre jeito, e um motorista, só mesmo em último caso, se não se adaptar ao trânsito e ruas de Luanda, ou no início para as conhecer.

- Saúde
Aqui há hospitais públicos e clínicas com boas condições, só que são caros. Não tive ainda a necessidade de recorrer a esses serviços, por isso não sei se funcionam bem, ou quais os seus custos.
Só sei que o facto de não ver muitas ambulâncias, o trânsito difícil, a juntar ao facto de no número de emergência, o 113, ser frequente não sermos atendidos, deixa-me de pé atrás de como será numa situação de emergência médica.

- Padrões e exigência

É essencial para a nossa sanidade mental, e para conseguirmos sobreviver em Luanda por algum tempo, baixarmos os nossos padrões de exigência, de qualidade de serviço, de higiene, de nível de vida, e de serviços disponíveis.
Caso contrário dão literalmente em doidos se não conseguirem aderir ao lema "não há maka"!

- Ordenado
Com tudo isto, facilmente se percebe que aliciarem-nos com um cheque de 4000€ por mês, sem quaisquer das regalias acima mencionadas incluídas, não é uma boa proposta. Habitação (2000€), carro (200€), comida (600€), e viagens (200€) podem transformar-se num gasto mínimo de 3000€/mês. E temos sempre outros gastos, com fins-de-semana, artigos para a casa, roupa, saúde, e passa-tempos.
Façam contas ao ordenado, mais as condições oferecidas pela empresa, e acima de tudo, vejam lá se o que sobra no fim do mês, compensa o esforço e sacrifício de estar longe de casa e do que nos é querido.

- Impostos
Não sei ao certo como funcionam por cá. Se existe segurança social, ou como funciona. Posso apenas dizer quais são as condições que tenho. A empresa paga-me o ordenado em Portugal, desconta em Portugal para a Seg. Social (para anos de reforma), e paga uma espécie de IRS aqui em Angola, o IRT (Imposto sobre Rendimento de Trabalho), à taxa de 15%, que parece-me ser fixa, ao contrário do IRS.
Se num ano ficarmos menos de 180 dias em Portugal, podemos pedir uma mudança de residência fiscal para o estrangeiro, e assim fica-se isento de fazer IRS deste ano.



Se tiverem uma proposta para trabalhar em Angola, pensem bem nas condições oferecidas e aproveitem essa mensagem para fazer umas continhas rápidas.
Tenham bem conscientes quais são as motivações para vir para Luanda, se a experiência profissional e de vida em si, se é poupar uns trocos, ou se é viver uma vida mais desafogada.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Quase 2 semanas!

Ao fim de duas semanas quase completas aqui por terras vermelhas, o tsunami de sensações, informações e coisas diferentes, começa a acalmar, dando lugar a um mar sereno, que em breve será rotina.

Adaptação

Até então, a adaptação tem sido bastante melhor do que esperava, confesso que também as expectativas iam para lá do pessimismo. Aqueles 6 meses de preparação psicológica e de recolha de informação e opiniões (que iam de um extremo ao outro) serviram para preparar-me psicologicamente e ir absorvendo certos aspectos, muito negativos diga-se, que ao chegar aqui não foram nenhum choque.


Condições

Também, diga-se, que estar "protegido" pela estrutura da empresa permite-nos não sentir na pele alguns problemas diários da generalidade da população.
- Nunca tive falta de electricidade em casa, e no trabalho aconteceu por uns minutos. Viva os geradores e quem os mantém.
- Nunca tive falta de água, temos bombas (e electricidade para que estas funcionem sempre) no apartamento.
- Tivemos motorista nestas primeiras 2 semanas, o que permitiu conhecer o trânsito caótico, os caminhos e atalhos, e dentro em breve vou ter carro próprio. Aqui não há transportes públicos eficientes, apenas alguns autocarros (surgiram recentemente, e são poucos), e os tais "táxis", que nunca vi um pula a utiliza-los.
- Temos cantina, e um serviço de entrega de compras ao domicílio. O que tendo em conta as horas que se perde no trânsito, e os horários de trabalho, facilita em muito a vida. Isso se esse serviço funcionasse bem (aí o mestre, o mestre), mas isso é outra história!
- Ao chegarmos tinhamos casa, equipada com lençóis, toalhas, talheres, pratos, panelas e ar-condicionado. Não é fácil arranjar casa em Luanda. São caríssimas (rendas de 4mil dólares por mês), e não têm boas condições necessariamente.
- Temos empregada diariamente em casa, limpa, lava a roupa e passa! Menos uma preocupação!


Insegurança

A tão propalada insegurança, ainda não a sentimos na pele. Certo é que andar de motorista, numa carrinha com mais 4 marmanjos, pode facilitar nesse aspecto. No entanto é um facto que histórias de tentativas de assaltos, dar "gasosas" aos polícias, ou aos miúdos que abordam o carro, toda a gente tem. Assaltos à mão armada é que são poucos os relatos, mas também os há!
Aqui é frequente ver-se polícia nas ruas, desde "trânsitos", a polícia de segurança armada de arma metralhadora, a polícia de intervenção, vulgos "ninjas" (que andam armados aos pares numa mota, e esses moços não são lá de muitas conversas!)
Na minha opinião, há problemas de assaltos, como em muitos outros sítio, só que aqui um "pula" para os ladrões é sinal de dinheiro, o que nos torna alvos com mais frequência cá, do que em Portugal. Há também assaltos aos locais que mostram sinais exteriores de riqueza (e há muitos por aí).
Há quem diga que as coisas estão um pouco melhores agora, não sei. Depois quando começar a andar de carro sozinho digo alguma coisa.


Clima

O clima aqui é maravilha. Para quem gosta de calor, e não se importa com humidade, este é o sítio certo para vir viver! Claro que o ar-condicionado no carro, para as horas no trânsito, e no quarto, para dormir, dão uma ajudinha.


Saudades

Até agora como estou ainda no período de ressaca, não tem sido muito complicado, o dia muito ocupado, muita coisa nova a reter, o trabalho, tudo isto dá o que fazer à cabeça. Mas depois ao entrar na rotina do dia a dia, vai ser bonito...


Mónica

Ok, era só para dizer que é a mulatinha mais linda que eu conheço.


Lamechice

(ver parágrafo a cima)


Fotos

Tenho fotos da casa, e muitas que tirei pelas ruas, pelo percurso. Depois ponho aqui!