Amanheceu cedo, com o sol a bater nos vidros do carro, tornando aquele pequeno bólide branco num exemplo a pequena escala do aquecimento global, e já transpirava feito parvo (pois, o
Al Gore disso não fala!), breves arrumações e lá arrancamos nós, claro que não sem antes de dar mais um mergulho nas águas escaldantes lá da
Tacota.
Lá seguimos então para a
Conda.
Agora com o sol a brilhar alto, era possível apreciar a paisagem que nos envolvia, e onde realmente estávamos, que no escuro da viagem de vinda era simplesmente impossível de perceber.
Estávamos mesmo por entre montanhas, bem lá no alto, por entre cumes e vales no meio do nada.


No topo das montanhas.
Mas aqui e ali encontrávamos uns povoações isoladas, uma
cubata aqui e ali perdida, e alguns dos habitantes destas terras altas e desterradas. Para quem não sabe, as
cubatas são casotas típicas, feitas com telhado de colmo, e nesse caso, com paredes em blocos de argila.

As
cubatas lá ao longe.

Locais a verem o carro passar.
Finalmente tínhamos chegado ao município da Conda. Como podem constatar na foto abaixo, tirada na zona mais rural.

Sim, é um município!
A sede começava a apertar, e então, aproveitando estarmos num município, procuramos um tasco qualquer para comprar uma bebida fresquinha. Não sendo uma zona abundante no que diz respeito a tascos, vai-se lá saber porquê, tivemos que parar numa, digamos, espécie de tasco.
A única coisa que havia fresca lá era Fanta de ananás... (Eu e a minha má língua, já a falar mal, como eles fossem muito atrasados, mas até tinham fanta de ananás. Menos mal.)

Eis a garrafa, de mil novecentos e "
trocó passo".
Bom, agora que falo nisso, lembrei-me que deveria ter verificado o prazo de validade... Mas que se lixe, soube pela vida, e até hoje não tive problemas do foro intestinal, nem recorri com frequência a instalações sanitárias. Pelo que acredito que estaria dentro do prazo.
Também não sei até porque me questiono sobre isso, o tasco não deixava azo para qualquer tipo de dúvida quanto à qualidade do produto.

O tasco!
(não, não é a casa verde, o tasco era a barraca em chapa que está do lado esquerdo.)
Uma prova mais que irrefutável de que os
tugas por cá andaram, é o campo de jogos do
CDDC, o Clube Desportivo da
Conda.
Se há coisa que
tuga faz mal chega a uma cidade/vila/povoação/aldeia/descampado, é fazer um campo de jogos ou estádio para jogar à bola e comer a bela da bifana com a "
mini" enquanto chama nomes à progenitora do moço do apito.

O dito campo de jogos.
Mas a beleza da
Conda não reside no seu relvado, ou nesse caso, é mais um pelado. É famosa por causa desta piscina de água quente, que não é amarela (
como na minha terra), e também não é tão quente como as poças de
Tacota, ali consegue-se não ser cozido, o que é positivo.

A piscina.

O Fernando antes de lhe roubarem os chinelos.

Como não podia deixar de ser, encontramos uns colegas da empresa a acampar ali ao lado da piscina. Os
tugas estão mesmo em todo o lado...
Entretanto, enquanto nos banhávamos lá nas água morna, havia quem continuasse na rotina do seu dia a dia. Muitos dos casos certamente sem água corrente fria, quanto menos água quente, há que aproveitar para tirar as nódoas mais difíceis.
(Sim, toda a gente sabe que a água quente é usada para as nódoas piores. Mas também é preciso tomar cuidado para não encolher ou desbotar! Isso vindo de quem já não lava a sua roupa há mais de um ano...)

Fazem um colorido bonito.

A
miudita a aprender.

Tirei essa foto ainda antes de saber que o
Farmville existia. Juro!
A muito custo, lá saímos da água, já com os dedos engelhados, e seguimos viagem. No regresso, passamos por mais kimbos, e cubatas, montes e montanhas, árvores e bananeiras, terra e muita terra.


Aparentemente não tinha ninguém em casa.

À noite as Três Pontes confesso que por incrível que pareça tinham um aspecto ainda menos assustador... Sempre não conseguíamos olhar para baixo... Medo! Muito medo! E só de pensar que por ali passam camiões (para levar a
fanta de ananás) e camionetas.

O rio que passava lá por baixo.
Pelo rio, o vento, e as nuvens deixava antever uma chuvada daquelas à maneira. E não falhou! Chuva e mais chuva, a cair forte, ajudada pelo vento, ainda fizeram cair uma ou outra árvore, uma delas mesmo em frente do carro dos nossos colegas que seguiam à nossa frente. E os que seguiam atrás de nós, contaram com a ajuda de locais com catanas para retirar um tronco que tapou-lhes o caminho.
Ainda foram uns bons 30 minutos de chuva intensa!

A chuva a estragar o negócio lá no mercado.

A linha a separar a zona da chuva e a zona seca, bem marcada na estrada.
Passado o temporal, estava na hora de acamar o
estômago, e nada melhor que umas bananas que nos surgiram pelo caminho. 100
kz (1€) deu para um cacho. Posso dizer que caíram que nem ginjas, ou nesse caso, bananas.

A bela da banana.

A observarem os pulas.
Nesses locais desterrados, temos que estar preparados para tudo, até para porcos a andar de bicicleta ou cabras a andar de mota. E se não se vê o primeiro, vê-se o segundo.

A cabra vai ao colo do gajo na mota.
(
nde, a expressão "cabra ao colo do gajo" não tem qualquer outro sentido menos sério, estou mesmo a falar do bicho)
No meio de uma estrada já asfaltada, encontramos um mercado muito movimentado, e resolvemos parar para compras umas frutas. Eu fiquei-me pelas bananas. Sim, novamente. As outras já tinham acabado. Seguem umas fotos do mercado tiradas às pessoas e ao local.





Ainda passamos por umas quedas de água, mas não tinha mais bateria na máquina, e não tirei fotos. Quando arranjar ponho aqui. E quando tiver uma boa ligação à net (leia-se, não pré-histórica) ponho um filme ou dois do fim-de-semana.
E como não podia deixar de ser... Trânsito!
Duas horas para entrar em Luanda, no pára arranca... Depois de um fim-de-semana espectacular, esta merda estraga logo a disposição toda a um gajo! Mas vale a pena...